José Carlos Libâneo

quarta-feira, 6 de junho de 2012

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DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA

 

 Para Libâneo a educação deveria servir como um instrumento de luta para a compreensão e transformação dos conceitos sociais. Valorizava o uso de um conhecimento que possibilitasse a liberdade intelectual e política para as que as pessoas dessem real significado à informação, julgando-a criticamente e tomando decisões mais livres e acertadas. Assim, ele propõe quatro pilares básicos para a escola de hoje, que juntos formam uma unidade, depende um da realização dos outros. O primeiro deles é o de preparar os alunos para o processo produtivo e para a vida na sociedade atual, investindo na formação geral, isto é, no domínio de instrumentos básicos conhecimentos, conceitos, habilidades, valores, atitudes que propiciem uma visão de conjunto das coisas, capacidade de tomar decisões, de fazer análises globalizantes de interpretar informações, de trabalhar em equipes interdisciplinares etc. Em segundo lugar, auxiliar os alunos nas competências do pensar autônomo, crítico e criativo, para que estes possam desenvolver a capacidade de aprender, de desenvolver os próprios meios de pensamento, de buscar informações. O terceiro é a formação para a cidadania crítica e participativa, onde escolas criem espaços de participação dos alunos dentro e fora da sala de aula de forma organizada onde estes possam praticar democracia, iniciativa, liderança e responsabilidade. O quarto objetivo é a formação ética. É urgente que os diretores, coordenadores e professores entendam que a educação moral é uma necessidade premente da escola atual e que eles precisam constantemente investir na capacitação efetiva para empregos reais e na formação do sujeito político socialmente responsável. Ele acreditava na reforma educacional como objeto de transformação e crescimento e por isso mesmo ficou conhecido como um dos maiores pensadores do nosso país, contribuinte importantíssimo na defesa intransigente da consolidação de uma escola pública de qualidade em nosso País. O autor traz uma orientação de pedagogia Crítico-social, apreciando o individualismo de cada um, com a intenção de transformação do indivíduo para que estejam capazes diante de qualquer situação perante a sociedade. É abordado que a escola é um ambiente de ensino e aprendizado, visto que o conhecimento é difundido para o encontro das camadas populares, pois se trata de um meio de socialização e é na instituição de ensino que existe a contribuição para a democratização.
 Para o autor o conceito de escola é definido em um local onde se encontra o conhecimento para buscar ensinamentos e bons envolvimentos entre os indivíduos. Esse ambiente criado especificamente para o aprendizado dos alunos, pois é na escola que se faz um cidadão e nessa instituição de ensino que se caracteriza a colaboração para a democratização, ajudando a cumprir a sua função e consequentemente leva o cidadão a ser um aprendente, com o intuito de construir conhecimentos. A instituição escolar deve ser um ambiente de transformação de relações sociais, não de reprodução da sociedade como ela é. Deve-se constituir, portanto, num ambiente que promova a mediação entre o aluno e o mundo da cultura construída socialmente, visando transmissão e apropriação ativas do conhecimento e habilidades com atuação crítica e analítica sobre o modo de produção predominante na sociedade.
Na visão do autor a concepção de ensino está relacionada no encontro do aluno com o conhecimento geral, provocado pelo professor. O discente como receptivo do ambiente em que vivência passa a absorver os conteúdos envolvidos. A área pedagógica tem a responsabilidade de participar na concordância dialética na prioridade da atividade do discente, na obtenção do saber transferido pelo docente. Libâneo deixa claro que o ensino é uma relação entre sujeito e objeto de informação, com isso resulta em um processo educativo. As atividades de ensino envolve no conceito do autor a prática social, no qual o profissional de educação deve está comprometido no que diz respeito às condições socioculturais, além de propiciar o envolvimento do aluno com os conteúdos e afirmar os resultados desse encontro. O professor tem que fazer com que os alunos se interessem, descubram situações que conquiste cada indivíduo para que eles tenham empenho pelo ensino. Buscando cada vez mais domínio do conteúdo que é ensinado, utilizando métodos criativos para transmiti-los.
 Para Libâneo o modo que existe de ensino na escola pública é um método decaído que não compromete as camadas populares. O ato educativo é um momento de interação social onde pode se perceber de forma clara para onde convergem fatores econômicos sociais e psicológicos. As condições econômicas, sociais biológicas e psicológicas uma vez que expressam circunstancias da realidade social e global, são mediações entre o social/individual e individual/social e que dificultam e/ou favorecem o acesso dos alunos ao saber escolar.

"Empenhem-se no domínio das formas que possam garantir às camadas populares o ingresso na cultura letrada, vale dizer, apropriação dos conhecimentos sistematizados. E, no interior das escolas, lembrem-se sempre de que o papel próprio de vocês será provê-las de organização tal que cada criança, cada educando, em especial aquele das camadas trabalhadoras, não veja frustrada a sua aspiração de assimilar os conhecimentos metódicos incorporando-os como instrumento irreversível a partir do qual será possível conferir uma nova qualidade às sua lutas no seio da sociedade". (SAVIANI,1985)


 Segundo Libâneo o processo de aprendizagem consiste num ato dialético, onde o professor atua como mediador entre as experiências sociais concretas que tem o aluno e o saber novo que tem a escola a lhe ensinar. Ocorre, então, a contraposição entre o conhecimento que traz o aluno ao novo conhecimento que este adquire, gerando assim um saber mais evoluído e fundamentado em suas experiências sociais, por este motivo, o processo torna-se significativo, motivador e mais interessante para o aluno.

José Carlos Libâneo 

BIOGRAFIA
 
José Carlos Libâneo nasceu em Angatuba, cidade do interior do estado de São Paulo, no ano de 1945 e cursou o ensino fundamental e médio no Seminário Diocesano de Sorocaba (SP). Graduou-se em filosofia na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), em 1966. Em 1984 tornou-se “MESTRE” em Filosofia da Educação e “DOUTOR” em Historia e Filosofia da Educação em 1990. Iniciou suas atividades profissionais em 1967, como Diretor do Ginásio Estadual Pluricurricular Experimental (SP), por seis anos onde pode aplicar as teorias pedagógicas de John Dewey. Em 1973 fundou e dirigiu por três anos o Centro de Treinamento e Formação de Professores da secretaria da Educação Estadual em Goiânia. A partir de 1975, tornou-se professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás onde coordenou por 4 anos o curso de mestrado em Educação. Entre 1976 e 1980 foi afastado das suas atividades inclusive da secretaria de educação por ter seus direitos cassados pelo regime militar, onde passou a atuar em uma empresa particular na área de recursos humanos e depois passou a dirigir uma escola particular Colégio Vocacional de Goiânia . Em 1980, obteve a anistia e pode voltar a lecionar na UFG na graduação e na pós-graduação, sendo que por 4 anos foi coordenador do mestrado em Educação Brasileira  e aposentou-se como professor titular em 1996. Desde 1997 até a presente data é Professor Titular da Universidade Católica do Goiás, atuando na pós-graduação, na graduação e sendo vice-coordenador do mestrado em educação. Pesquisa sobre temas como: Teoria da Educação, Didática e organização escolar, além de ministrar palestras em todo o Brasil, em universidades e para secretarias de educação. É consultor do CNPq , do CAPES e de varias associações cientificas e sindicais.   
Libâneo é o autor da teoria “tendências pedagógicas”, porém é a favor da tendência crítico-social dos conteúdos. Ele afirma também que esta tendência prioriza os conteúdos culturais universais, que são incorporados pela humanidade no seu confronto com as realidades sociais. Seus ensinos são pautados no estímulo ao desenvolvimento da consciência crítica de cada indivíduo a fim de despertá-lo para a sua condição de oprimido e proporcionar a ele subsídios para que venha a se tornar um agente transformador da sociedade.

Principais obras publicadas:
  • ACELERAÇÃO ESCOLAR – Estudos sobre educação de adolescentes e adultos Edição do Autor (1976).
  • DEMOCRATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA - A pedagogia crítico social dos conteúdos Cortez Editora 1985, (2002, 20° edição
  • DIDÁTICA Cortez Editora 199, (2002, 21° edição)
  • ADEUS PROFESSOR, ADEUS PROFESSORA? – Novas exigências educacionais e profissão docente Cortez Editora 1998, (2002, 6° edição)
  • PEDAGOGIA E PEDAGOGOS, PARA QUÊ? Cortez Editora 1988, (2002, 6° Edição).
  • ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA ESCOLA. Editora Alternativa 2001, (2002, 5° edição)

 REFERÊNCIAS:
LIBÂNEO, José Carlos- Democratização da Escola Publica- A Pedagogia critico-social dos Conteúdos. São Paulo. 13. Ed. Editora Loyola, 1985.



Disponível em: http://www.ucg.br/sitedocente/edu/libaneo/pdf/curriculumvitae.pdf. Acesso em 08 de maio de 2012.

Disponível em: http://www.pedagogia.seed.pr.gov.br/modules Acesso em 28 de maio de 2012.

Atividade 2 de PPP III
Equipe:
Lane Andrade
Marijane Silva
Jane Carvalho
Adriana Bastos
Carla Pereira
Pedagogia (3º Semestre) Iguatemi


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